Mobilidade Urbana: Obstáculos e Desafios

Nos dois últimos anos a cidade de São Paulo viu crescer de forma exponencial o surgimento de transportes alternativos à loucura que vivemos em nossa metrópole. Com o excesso de carros, mesmo com a aplicação de medidas como o rodízio de placas, não se viu de fato uma melhora no quesito trânsito e tempo perdido pelas pessoas em engarrafamentos. Além disso, há uma corrente mundial para a redução de poluentes no mundo, uma consicentização coletiva de que precisamos pensar no futuro, nas próximas gerações.

Chegada às ruas

Com um investimento consierável, além de uma campanha forte nas mídias, o Itaú conseguiu implementar estações de locação de bicicletas nos mais importantes bairros da cidade. Nestas estações, você pode alugar as bicicletas por um período de 1 hora, de forma avulsa, ou adquirir planos mensais e anuais através do Bike Sampa. O único contraponto no caso das bikes Itaú, é que para a sua utilização, você precisa retirá-la em uma estação e devorver em outra. E nem sempre há uma estação perto do seu destino.

Logo em seguida, surgiram as amarelinhas da empresa Yellow, que são locadas através de um App instalado em seu telefone. Estas bikes, embora inferiores às da Itaú, podem ser retiradas e devolvidas em qualquer ponto da cidade, sem qualquer necessidade de serem deixadas numa estação específica. Só há que se respeitar um perímetro demarcado no App.

Com o sucesso das bikes e um enorme aumento da demanda pelas magrelas, as empresas abriram os olhos para uma outra oportunidade: o patinete elétrico.

A empresa Grin apareceu com os primeiros e logo em seguida, a Yellow atracou com milhares de aparelhos pela cidade. O utilitário virou febre. Tanto que as empresas logo anunciaram uma junção. Ambas são muito utilizadas, especialmente por um público corporativo, que tem trocado o transporte público e o carro por esta alternativa. Mais saudável, não poluente e prático, os patinetes, no entanto, têm seus contras. A sua locação ainda é bastante cara.

Divergências entre legislação, usuários e empresas

Outro ponto que vem causando enorme polêmica é a questão da segurança. A secretaria municipal de mobilidade e transporte de São Paulo diverge das empresas que fornecem o serviço, estas, considerando inconstitucionais as regras exigidas em decreto pela secretaria. Que são as seguintes:

  • Promover campanhas educativas sobre o uso correto dos equipamentos;
  • Fornecer pontos de locação fixos e móveis que poderão ser identificações por aplicativos ou sites;
  • Recolher os equipamentos estacionados irregularmente;
  • Manter os dados dos usuários confidencialmente;
  • Fornecer os dados dos usuários aos órgãos municipais ou de segurança pública, caso sejam solicitados;
  • Informar à SMMT, mensalmente, o número de acidentes registrados no sistema.
  • Fornecer os equipamentos necessários para segurança dos usuários, inclusive capacete, certificados pelo Inmetro.

No mesmo decreto, há exigências feitas aos usuários:

  • Circulação proibida em calçadas;
  • Velocidade máxima de 20 km/h em ciclovias e ciclofaixas;
  • Circulação permitida em ruas com velocidade máxima de até 40 km/h;
  • Capacete obrigatório.

Em passo de espera

O fato é que enquanto o imbróglio não se resolve, empresas, usuários e secretaria vivem este vai e vem. Em determinado momento você têm o transporte disponível para utilização. No dia seguinte, não mais.

Nesse cenário de incertezas, ainda é difícil poder se programar para chegar a um compromisso no horário certo, tendo que contar com os patinetes. O ideal ainda é sair mais cedo e ter outras alternativas. As bikes são ótimas mas ainda precisam de uma conscientização ainda maior dos usuários. Muitas são depredadas e deixadas em péssimo estado.

As empresas que fornecem o serviço, por sua vez, têm que melhorar a logística de distribuição e manutenção das mesmas. Muitas vezes você não encontra o equipamento em bom estado ou sequer disponível em determinada região.

As bicicletas preencheram um espaço estrutural que fora muito criticado quando construído, as ciclovias. Estas críticas refletiram na falta de manutenção das mesmas. Hoje encontramos muitos trechos de ciclovias em mau-estado.

Todos estes fatores, aliados ainda a uma questão cultural, são obstáculos e desafios importantes que devem ser superados ao longo do tempo, com uma legislação mais clara e estável, campanhas de segurança e manutenção dos equipamentos, e respeito às leis de trânsito por parte de todos.

Sem dúvida, caminhamos para uma era onde a mobilidade urbana será pré-requisito para questões importantes como a compra de um imóvel, onde trabalhar, onde e como se divertir.

 

Fonte: Portal G1.

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